CRISES INDIVIDUAIS E DECADÊNCIA COLETIVA Gênesis 1.1—11.26
Em uma série de histórias e genealogias altamente condensada, esta seção do livro
trata da origem do universo, da origem da ordem nesta terra, da origem da vida, da origem do homem, da origem do pecado, da violência e desordem, e da origem das diferenças nacionais e lingüísticas.
D. A Expansão de um N ovo Começo, 4.25—6.8 No Livro de Gênesis, as linhas de pensamento ou grupos de indivíduos menos importantes recebem pouca atenção para logo serem descartados. O interesse é focalizado nas doutrinas ou pessoas que são centrais aos procedimentos redentores de Deus com o homem.
1. O Terceiro Filho de Adão (4.25,26) O rapaz que substituiu o Abel assassinado recebeu um nome bem adequado. Sete
(25) significa “designado ou colocado”, o que indicava a misericórdia de Deus. Ele deu a Adão e Eva um filho que preservaria a fé no único Deus verdadeiro. Foi nesta família que o fogo da verdadeira adoração foi luminosamente mantido aceso. Aqui estava a base para a esperança de que a piedade era possível entre os homens.
2. Abundância de Anos, mas Escassez de Fé (5.1-32) Os versículos 1 e 2 são uma sinopse de 1.27,28, e na forma há a forte sugestão de que
esta genealogia é uma unidade em si mesma. A verdadeira meta do ato criativo de Deus era que o homem fosse à semelhança de Deus (1). Essa semelhança foi corrompida pelo pecado no jardim do Éden. A semelhança foi torcida até nas realizações culturais dos descendentes da linhagem de Caim. E Sete não era verdadeiramente à semelhança de Deus. Ele possuía o estado corrompido do homem pecador, porque era à semelhança de Adão. Não há número de anos na terra que mude esse fato. O resultado do pecado era morte física, e o único modo de a pessoa evitar esse destino foi ilustrado na vida de Enoque. Ele andou... com Deus; e não se viu mais, porquanto Deus para si o tomou (24). A única fuga da morte era pela comunhão íntima com Deus, junto com um ato de livramento do Todo-poderoso. Exceto por isso, todos deveriam morrer {e.g., 5,8,11). Uma comparação das genealogias em ambos os Testamentos logo deixa claro várias
características. São genealogias altamente seletivas e não alistam necessariamente toda geração. Um estudo de “pai” e “filho”, que só pode ser feito adequadamente em hebraico, revela que estes termos podem ser aplicados, respectivamente, a qualquer antepassado ou a qualquer descendente. O papel das genealogias na Bíblia nem sempre é fornecer uma cronologia histórica; sua função varia de lugar para lugar. E interessante observar um ponto de comparação entre a linhagem de Caim e a
linhagem de Sete. O sétimo depois de Caim foi Lameque, que era o epítome da hostilidade furiosa, embora seus três filhos fossem gênios criativos. O sétimo na linhagem de Sete foi o piedoso Enoque, que Deus para si... tomou. Noé (29), o décimo na linhagem de Sete, e seus três filhos começaram uma nova população depois do dilúvio. Não há modo fácil de explicar a longa extensão de vida atribuída aos patriarcas
relacionados no capítulo 5. A vida mais curta é de Lameque, 777 anos. A mais longa é de Metusalém, 969 anos. Estudiosos conservadores tomam uma de duas possíveis interpretações. Alguns (notavelmente John Davis, na sua obra muito consultada Dicionário da Bíblia, e mais recentemente Bernard Ramm) sugerem que os nomes representam o homem individual e o seu clã. Um paralelo bíblico é encontrado em Atos 7.16, onde o nome “Abraão” se refere à sua família ou clã, visto que o procedimento informado ocorreu depois da morte do patriarca. Outros destacam que nos primórdios da raça, antes que o pecado prolongado e persistente reduzisse a vitalidade humana e as doenças se desenvolvessem ao ponto em que estão hoje, idade avançada e vigor longo eram bem possíveis.
3. A Grande Apostasia (6.1-8) As genealogias de Caim e de Sete são coroadas por uma história, que é veemente em
sua acusação. Extensa controvérsia ainda gira em torno desta passagem. Um aspecto do problema centraliza-se no significado da frase os filhos de Deus (2).
Pela razão de esta frase aparecer em Jó 1.6; 2.1; 38.7 e Daniel 3.25 como designação a seres divinos ou anjos, argumenta-se que os anjos caídos vieram à terra e se casaram com mulheres (cf. SI 29.1; 89.6, onde “poderosos” e “filhos dos poderosos” aludem a Deus).22 Contudo, em nenhuma parte das Escrituras há a descrição de seres divinos corrompendo o gênero humano. Eles sempre são benéficos em suas relações com o homem. Jesus foi claro em declarar que os que serão ressuscitados “nem casam, nem são dados em casamento; mas serão como os anjos no céu” (Mt 22.30). Por conseguinte, esta visão é contrária ao teor geral da Bíblia.
A presença muito difundida de histórias mitológicas entre os antigos pagãos, remontando aos hurritas (1500-1400 a.C) e descrevendo deuses e deusas da natureza engajados em relações ilícitas entre si, levam alguns a advogar que esta passagem é um conto mitológico. Contudo, admite-se prontamente que mitologia erótica não aparece em outros lugares na Bíblia. Por isso, os estudiosos concluíram que o escritor de Gênesis alterou um conto mitológico e, com um jeito envergonhado, o apresentou como justificação para o julgamento de Deus que logo viria.23 Outro ponto de vista popular é que os filhos de Deus eram descendentes de Sete.
De importância aqui é a palavra Deus (ha’elohim), que em outros lugares no Antigo Testamento significa “o único Deus verdadeiro” e, assim, o distingue das deidades pagãs. Este ponto de vista parece tornar impossível a teoria mitológica. Na verdade, não se pode discutir que o conceito de uma relação filial entre Deus e
seus adoradores seja estranho ao Antigo Testamento. Esta questão não se apóia em uma frase precisa; apóia-se em um conceito.24 Em referência ao verdadeiro Deus há uma declaração em Deuteronômio 32.5, que diz: “Seus filhos eles não são, e a sua mancha é deles” (hb., banaw, “filhos dele”). Também em referência a Deus, o salmista (SI 73.15)
disse: “Também falarei assim; eis que ofenderia a geração de teus filhos” (hb., banayka, “teus filhos”). E certo que nestes contextos “seus filhos” e “teus filhos” são equivalentes a filhos de Deus. E de forma mais clara, Oséias (Os 1.10) disse acerca de Israel: “Se lhes dirá: Vós sois filhos do Deus [’el hay] vivo”. No pensamento do Antigo Testamento, he’elohim e ’el hay quase não poderiam ter sido dois deuses distintos. Repare também em Oséias 11.1 a frase “meu filho”, que se remonta ao Senhor. No Novo Testamento, a expressão “filhos de Deus” ocorre em referência a seres humanos em João 1.12; Romanos 8.14; Filipenses 2.15; 1 João 3.1 e Apocalipse 21.7. Estas passagens do Novo Testamento não são extraídas do paganismo, mas estão solidamente baseadas no conceito do Antigo Testamento mencionado acima. A conclusão de que os adoradores do Senhor (4.26) da linhagem de Sete também
eram os filhos de Deus preenche de maneira natural a lacuna entre as genealogias e o dilúvio. Estes homens não escolheram suas esposas com base na fé, mas por impulso, sem consideração pela formação religiosa. Seguiu-se corrupção após esta vida devassa e Deus reagiu com ira divina. A palavra hebraica traduzida por contenderá (3, yadon) tem vários significados. A
formação verbal pode aludir a raízes que significam “permanecer, ser humilhado” ou, remetendo-se ao acádio, “proteger, servir de proteção”. Contender, trabalhar, esforçar-se ou proteger se ajustam bem ao contexto. O homem não devia sentir-se mimado, porque ele também é carne. Ele foi posto em provação por cento e vinte anos. Em 6.3, há o pensamento interessante “Não para Sempre”. 1) O Espírito de Deus
contende com o homem; 2) O Espírito nem sempre contenderá; 3) O homem pode achar graça aos olhos do Senhor, 8 (G. B. Williamson). A tradução gigantes (4, nefilim) remonta à Septuaginta. O contexto do outro exemplo onde a palavra aparece (Nm 13.33) sugere estatura incomum, mas na verdade o tamanho físico não tem nada a ver com o significado da palavra. Literalmente, o termo nefilim significa “os caídos ou aqueles que caem sobre [atacam] os outros”. Em todo caso, eram indivíduos malévolos. Eles precederam e coexistiram com o ajuntamento dos filhos de Deus e das filhas dos homens. Nada no texto apóia a idéia de que eles eram descendentes deste ajuntamento que os rivalizavam como varões de fama, ou seja, homens de notoriedade e renome. A reação de Deus aos assuntos da sociedade humana aumentava de intensidade à
medida que a corrupção pecaminosa se tornava dominante em escala universal. A degradação do homem estava interiormente completa, era só má continuamente (5). A frase arrependeu-se o SENHOR (6), e outras semelhantes (ver Ex 32.14; 1 Sm
15.11; Jr 18.7,8; 26.3,13,19; Jn 3.10), incomoda muitos estudiosos da Bíblia. O conceito comum de arrependimento está relacionado com afastar-se de atos imorais. Assim, uma mudança de direção, de caráter e de propósito é inerente no ato.25 Duas passagens no Antigo Testamento asseveram definitivamente que Deus não mente e se arrepende como o homem (Nm 23.19; 1 Sm 15.29). Um estudo das passagens relacionadas acima mostra que o arrependimento divino não brota da tristeza por más ações feitas. As mudanças na relação do homem com Deus resultam em mudanças nos procedimentos de Deus com o homem. Quando o homem se afasta de Deus para o pecado, Deus muda a relação de comunhão para uma relação de repreensão julgadora. Quando o homem se afasta do pecado para Deus, este estabelece uma nova relação de comunhão. Este é o arrependimento divino. Em nosso texto (6), Deus muda de comunhão para julgamento. As mudanças de relacionamento que Deus executa nunca são descritas no Antigo
Testamento como algo impessoal ou passivo. Deus sempre está profundamente envolvido. Visto que a mudança de relação é pessoal, que melhores termos humanos se usariam do que expressões profundamente emocionais? Assim, pesou a Deus em seu coração. Quando o homem peca, Deus julga; mas Ele também sofre intensamente. Deus não se gloriou no ato de julgamento implementado a seguir. Toda palavra do
pronunciamento está imbuída de agonia. Que criei (7) sugere “Todos os produtos da minha criatividade amorosa devem ser destruídos, exceto um”. Só um homem era adorador de Deus: Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR (8). De 6.5-8, G. B. Williamson analisa “O Dilúvio”. 1) O julgamento pelo pecado é inevitável, 5-7; 2) A justiça é indestrutível, 8; 3) A fidelidade de Deus aos homens que confiam e obedecem é inalterável, 8.
continuamos no proximo post
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