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C. As P r o v a ç õ e s d e J o s é n o E g i t o , 39.1—40.23 As reações de José ao estresse e infortúnio foram notadamente diferentes das expressadas pelos seus irmãos quando enfrentaram situações difíceis. Eles tinham reagido com fortes sentimentos negativos, envolvendo ciúme, concupiscência e ódio que resultaram em assassinato (34.25), incesto (35.22), tramas de morte seguidas da venda à escravidão (37.2028), empedernido logro de seu pai (37.31-33) e imoralidade irresponsável (38.15-26). Em contraste com os irmãos, José era jovem de extraordinária força moral, que não

se entregou à amargura, autopiedade ou desespero. Venceu as dificuldades com corajoso senso de responsabilidade e altos valores morais. Em toda a situação, demonstrou confiança em Deus, sabedoria bondosa em seus procedimentos com os outros e honestidade concernente a toda confiança nele depositada.

1. Aprisionado sob Falsa Acusação (39.1-20) O novo senhor egípcio de José, Potifar (1), logo notou as qualidades incomuns do

caráter do escravo e cada vez mais foi lhe confiando as tarefas domésticas. O testemunho do texto é que o SENHOR estava com José (2) e que até o senhor pagão percebia este fato. Em conseqüência disso, a Palavra diz que José achou graça a seus olhos (4). Esta expressão significa que Potifar reagiu com benevolência e bondade para com José e o elevou a uma relação serviçal mais pessoal nos afazeres da casa. Com a promoção houve aumento de responsabilidade, condição que José lidou com destreza, de forma que, por José, o SENHOR abençoou a casa do egípcio (5), ou seja, os negócios de Potifar prosperaram. A frase José era formoso de aparência e formoso à vista (6), prepara o cenário

para o incidente que vem a seguir. Ilustra perfeitamente os perigos de altos cargos em ambientes pagãos. A mulher de seu senhor (7) era pessoa mal acostumada e impulsiva, sem ter o que fazer. Faltavam-lhe padrões morais, e quando o marido se ausentava procurava outros homens encantadores e atraentes. Logo José se tornou alvo de suas atenções e na primeira oportunidade fez uma proposta indecorosa. Em contraste com Judá (38.16), José resistiu ao convite. Explicou racionalmente

que sua posição, com a pertinente carga de responsabilidade, tornaria tal ato uma violação de confiança (8). Acima de tudo, como faria José este tamanho mal e pecaria contra Deus? (9). A mulher não via as coisas desse modo, por isso continuou importunando e convidando-o. Por fim, num momento favorável, agiu com insistência: Ela lhe pegou pela sua veste (12) para o puxar para si. José se libertou e fugiu da casa, do para trás a sua veste, a qual ela usou eficazmente contra ele. Quando chamou os homens de sua casa (14), ela acusou o hebreu (servindo-se totalmente do preconceito racial) de investidas indecorosas e afirmou que ela resistiu gritando com grande voz. Repetiu a acusação ao marido que, por esta causa, mandou prender José. O fato de José não ter sido imediatamente executado sugere que o senhor (20), ainda que enfurecido, não estava plenamente convencido da inocência da esposa.4

2. O Intérprete de Sonhos (39.21—40.23) O controle que José mantinha de suas atitudes era importante. Mas o escritor desta

história entendia que a boa harmonia com o carcereiro-mor (21) era por causa da benignidade (chesed) ou misericórdia do SENHOR. Esta palavra está estreitamente ligada com a relação do concerto e, assim, fica claro que José foi o escolhido por Deus como sucessor de Jacó na estrutura do concerto. Logo José estava a cargo de muitos detalhes dos procedimentos prisionais. Este fato se deu por que o SENHOR estava com ele; e tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava (23). Havia mais que controle de atitude e trabalho eficiente. Na vida de José, existia mais uma importantíssima vantagem: a preocupação ativa e a benignidade de Deus. Ser servo na corte do rei do Egito (1) era negócio arriscado. Dois dos servos do rei

foram postos na prisão (3), devido a certas imprudências não mencionadas no texto. Ambos ficaram a cargo de José (4). Certa noite, cada um dos dois prisioneiros teve um sonho (5) que os confundiu e os

deprimiu. Cada um conforme a interpretação do seu sonho fica melhor como “cada sonho com a sua própria significação” (ARA). Contaram o sonho a José que, por sua vez, ofereceu ajuda, dizendo: Não são de Deus as interpretações? (8). Diante desta oferta, cada um contou-lhe o sonho. O copeiro-mor (9) disse que sonhou com uma vide que tinha três sarmentos (10),

ou ramos, cujos cachos amadureciam em uvas. O chefe dos copeiros pegou o copo de Faraó (11), espremeu o suco das uvas no copo e o pôs na mão de Faraó. A interpretação de José foi que os três sarmentos seriam três dias (12), e que dentro desse prazo o

copeiro seria restaurado ao seu antigo trabalho. Levantará a tua cabeça (13) é melhor “te libertará” (Moffatt) ou “te chamará” (Smith-Goodspeed). José se aproveitou do momento para fazer um apelo pessoal, dizendo que, quando

fosse restaurado, o copeiro usasse de compaixão (14) e mencionasse a Faraó as injustiças que tinham posto José na prisão do Egito. Ele esperava que isto o levasse à libertação. Em seguida, o padeiro-mor (16) contou seu sonho, no qual ele estava levando três

cestos brancos (16, salley hori). Brancos é boa tradução deste termo se entendermos que se refere a pães brancos, mas a mesma frase pode significar “cestos de vime”. Novamente o número três designava três dias (18). Mas este homem não seria restaurado ao cargo. Também seria chamado por Faraó (Faraó levantará a tua cabeça sobre ti), mas como diz a ARA: “Faraó te tirará fora a cabeça”. As aves (17) bicando os pães assados deu este mau agouro, porque elas comeriam a carne (19) do padeiro, enquanto o corpo estivesse pendurado num madeiro. A expressão levantou a cabeça (20) é empregada pela terceira vez para denotar libertação da prisão. O destino de cada homem foi como José havia predito. Porém, para desapontamento de José, o homem cuja vida foi poupada não se lembrou de José (23).






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