D. Jesus e O s Fariseu s , 12.1-45 1. A Controvérsia Sobre a Observância do Sábado (12.1-14) a) A Colheita de Grãos (12.1-8). Havia três coisas que distinguiam particularmente
os judeus dos gentios na época de Jesus. A primeira era a observância do sábado. Os fariseus eram especialmente rígidos a esse respeito. O Talmude, que é o grande depositório do judaísmo farisaico, tem 24 capítulos sobre o assunto. A segunda característica que distinguia a vida dos judeus era a circuncisão. E a terceira era a proibição de comer carne “impura”. Aconteceu que em um sábado Jesus estava passando pelas searas (1) - uma palavra que significa “os semeados” (plural), que quando usada como substantivo significa “campos cultivados, campos de grãos”. Os seus discípulos tendo fome, ou, como diríamos hoje em dia, “estavam com fome”, começaram a colher espigas - mais corretamente, “apanhar a parte superior do trigo”. A imagem dos discípulos apanhando espigas de milho é enganosa para o leitor americano ou brasileiro. Os fariseus (2) seguiram Jesus, não para receber a sua ajuda, mas para espioná-lo
com a esperança de colocá-lo em dificuldades. Então, quando viram os apóstolos colhendo as espigas, eles imediatamente os acusaram de colher no sábado. Eles reclamaram com Jesus que os seus discípulos estavam fazendo o que não é lícito fazer num sábado. O quarto mandamento os proibia de fazer alguma “obra” no sábado (Êx 20.10). Mas a pergunta é: o que caracteriza uma “obra”? Os rabinos falam disso com cuidado meticuloso em centenas de regulamentos detalhados. Nós nos lembramos do menino - cuja mãe o havia mandado à cama com ordens estritas de fazer silêncio e não pedir nada. Entretanto, ele tinha uma pergunta: “Posso pensar?” Algumas vezes o peso sufocante e repressor da legislação legalista deve ter tentado alguns judeus a perguntar: “Posso respirar?” A essa reclamação dos fariseus, Jesus tinha uma réplica. Ele citou o caso de Davi
(3), que, com um grupo de homens famintos, comeu os pães da proposição (4),17 que somente os sacerdotes tinham permissão de comer. Em outras palavras, a necessidade humana é uma lei mais importante do que as leis e regras religiosas. Ou, colocando de maneira mais exata, o amor é a lei mais importante no universo e anula todas as demais leis. E o amor exige que a necessidade humana seja satisfeita, mesmo se alguns aspectos legais tiverem que ser deixados de lado durante o processo. Isto é o que os fariseus não conseguiam enxergar. Sendo típicos legalistas, a eles lhes faltava aquele amor e aquele bom senso que juntos fazem a vida funcionar com alegria e suavidade. Mas o amor é a dádiva da graça de Deus - sim, dele mesmo, pois “Deus é amor”. O legalismo é uma negação humana do amor divino. O Mestre também lembrou os seus críticos de que os sacerdotes trabalham todos os
sábados no Templo. Assim, eles violam o sábado, mas ficam sem culpa (5). O bom senso mostra que, na prática, algumas leis anulam outras. Isto é inevitável, em um mundo imperfeito como o nosso. Então Jesus destacou o seu ponto principal. Agora está presente quem é maior18
do que o templo (6). O verdadeiro templo, o lugar de encontro entre Deus e o homem, era o próprio Cristo. O Templo de Jerusalém era a casa de Deus; Jesus é o Filho de Deus (cf. Hb 3.3-6). Isto é algo infinitamente maior.
Mais uma vez (cf. 9.13), Cristo citou Oséias 6.6 - Misericórdia quero e não sacrifício (7). E óbvio que este conceito de religião verdadeira como consistindo de uma atitude correta e não de atos rituais era essencial no pensamento de Jesus. Se, no cristianismo, alguém colocar o seu principal enfoque na liturgia em lugar da vida, estará retrocedendo do Novo Testamento ao Antigo. E, mesmo assim, deixará de seguir a interpretação profética da lei Mosaica. Jesus declarou: se vós (os fariseus) soubésseis o significado de Oséias 6.6 - e a
construção em grego deixa claro que não sabiam - não teriam condenado os inocentes (plural no texto grego). O convencimento (com um sentido de condenação) é obra do Espírito Santo (Jo 16.8), e não dos seres humanos. Quando saímos por aí condenando as pessoas, estamos usurpando a autoridade divina (cf. 7.1). O ponto decisivo é que o Filho do Homem (o Messias) até do sábado é Senhor (8).
A submissão a Cristo como o Senhor Supremo acaba com todas as controvérsias básicas.19 b) A Cura de um Homem que Tinha a Mão Mirrada (12.9-14). Este milagre (cf. Mc
3.1-6; Lc 6.6-11) representa outro item no conflito entre Jesus e os fariseus quanto ao assunto da observância do sábado. Havia em sua sinagoga (9) - provavelmente em Cafarnaum (cf. Mc 2.1; 3.1) - um homem que tinha a mão mirrada (literalmente “seca”). Os fariseus perguntaram a Jesus: E lícito curar nos sábados? (10) O objetivo deles não era obter informações para si mesmos, mas sim evidências contra Jesus, para o acusarem. A primeira vista, parece haver um conflito entre o texto em Marcos 3.4 e Lucas 6.9.
Mateus diz que os fariseus fizeram essa pergunta a Jesus. Tanto em Marcos quanto em Lucas, Jesus é quem faz essa pergunta aos fariseus. Mas a pergunta do Mestre pode muito logicamente ter sido feita em uma forma retórica. Na presença do homem aleijado, os fariseus perguntaram a Jesus: “E lícito curar nos sábados?” Em resposta, Jesus perguntou: “É lícito no sábado fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matar?” Marcos diz imediatamente que “eles calaram-se”. Ao responder a pergunta dos fariseus com outra pergunta, Jesus os coloca no seu devido lugar, e assim silencia os seus adversários. Para concluir o seu assunto, Cristo perguntou se eles não tirariam uma ovelha de
uma cova em um sábado (11). Quanto mais vale um homem do que uma ovelha? E, por conseqüência, lícito fazer bem nos sábados (12). Tudo o que for para o bem da humanidade, será sempre agradável a Deus. Então o Criador ordenou à sua criatura aflita: Estende a mão (13). Morison opina
que somente a mão era mirrada, e não o braço, e que o objetivo de estender a mão tinha a finalidade de que todos pudessem ver a cura.20 Mas estender a mão não implica e envolve um movimento do braço? Então, parece que M’Neile tem razão quando diz: “A ordem fez aflorar a fé, que foi o meio pelo qual a cura foi realizada”.21 Em outras palavras, o homem demonstrou a sua fé por meio da sua obediência. Nas situações da vida real as duas nunca podem estar separadas. De qualquer forma, a mão do homem ficou sã como a outra. A cura estava completa. Ao invés de se sentirem obrigados - por este milagre - a crer em Jesus como o seu
Messias, os fariseus “formaram conselho”22 contra Ele, para o matarem (14). Esta ação dá uma idéia da dimensão da voluntária e obstinada rejeição deles a Cristo. Não existe nada mais irracional e despropositado do que o fanatismo religioso.
2. O Conforto das Multidões (12.15-21) Em contraste com os líderes religiosos, que procuravam defeitos e faziam críticas,
estavam as multidões, que tinham um entusiasmo encorajador. Quando Jesus retirouse da sinagoga para escapar da conspiração para o assassinar, acompanhou-o uma grande multidão de gente (15). Cheio de compaixão - e talvez de gratidão, pelo menos pela fé que aquelas pessoas demonstravam em seu poder de curar - ele curou a todos. Ao mesmo tempo, Ele recomendava-lhes rigorosamente (ou “avisava”) que não
o tornassem conhecido (16). A razão para este aviso está indicada em Marcos 1.45. Jesus estava tentando evitar a publicidade do seu ministério de cura, para que este não se tornasse um obstáculo para o seu ministério de ensino, que era mais importante. Ele também queria evitar que a excitação popular ficasse, humanamente falando, fora de controle, com o conseqüente perigo de um levante revolucionário contra Roma. Mais uma vez Mateus emprega a sua fórmula favorita para apresentar o material
do Antigo Testamento: para que se cumprisse o que fora dito (17). Desta vez a citação um pouco longa é de Isaías 42.1-4. Ela não foi tomada da Septuaginta, mas é de alguma forma uma tradução livre do hebraico. Esta característica já foi anteriormente observada no texto de Mateus. A respeito disso, Carr comenta aqui: “A divergência entre os pontos da Septuaginta aponta para uma versão independente, e a divergência entre o vocabulário de Mateus aponta para algum tradutor, e não para o próprio evangelista”.23 A palavra servo (18) épais, que pode significar tanto “servo” quanto “filho”, embora
a palavra hebraica em Isaías signifique apenas “servo”. Morison tem um comentário que pode ser útil: “Os dois significados da palavra grega fazem com que ela seja peculiarmente aplicável ao Messias, no qual os dois relacionamentos se combinam”.24 A profecia: Porei sobre ele o meu Espírito, foi cumprida no Batismo, quando o Espírito Santo desceu sobre Jesus. Juízo é o significado usual para a palavra grega krisis (cf. “crise”). Mas aqui ela traz consigo a rara conotação de “justiça”. O Servo do Senhor não contenderá (19) - uma palavra grega que só é encontrada
aqui no Novo Testamento, e que significa “discutir, brigar”. Clamará é a palavra kraugazo, e sugere um clamor que chama a atenção para si mesmo. Ninguém ouvirá pelas ruas a sua voz, pedindo popularidade. Este versículo, que compõe o centro da citação, mostra particularmente a razão pela qual Mateus escolheu estas palavras de Isaías. Ele queria mostrar a modéstia do Messias, ao desejar evitar publicidade (16). O versículo 20 emprega duas metáforas em relação ao ministério de Cristo. A primeira é a da cana quebrada e a segunda é a do morrão que fumega. A última indica um pavio que ainda tremula, mas já quase apagado pela falta de óleo. Morison dá um significado claro e simples para esta interessante passagem: “A cana quebrada e o pavio quase apagado podem se referir às vidas que Jesus restaura, e às chamas da fé que Ele faz reviver”.25 Alford diz que essas metáforas representam “uma expressão proverbial conhecida: ‘Ele não esmagará o coração contrito, nem extinguirá a menor faísca de arrependimento sentida pelo pecador’ ”f Até que faça triunfar o juízo significa “até que Ele faça a sua justiça triunfar, até que Ele a leve à vitória”. Para os versículos 18-21, Charles Simeon sugere o tópico: “A compaixão de Cristo
em relação aos fracos”. 1) A sua missão é expressa no versículo 18. 2) A sua maneira de cumpri-la está indicada nos versículos 19-20: a) Em silêncio; b) Com ternura; c) Com sucesso. 3) A nossa obrigação para com Ele é mostrada no versículo 21.
3. O Desprezo dos Críticos (12.22-45) Esta seção mostra os fariseus na sua mais obstinada e cruel oposição a Cristo. Os
seus corações carnais são desmascarados e a imagem revelada é um sórdido comentário sobre os frutos da religião legalista.
a) O Endemoninhado Cego e Mudo (12.22-30). Lucas, que também registrou este
milagre de cura (Lc 11.14), menciona somente a mudez do homem, não a sua cegueira. Mas tanto Lucas quanto Mateus indicam que ele estava “endemoninhado”. Pode ser que esta condição tão difícil tivesse sido trazida a Jesus como uma espécie de teste. Mas Ele enfrentou o desafio e teve sucesso total; o homem foi completamente curado. Compreensivelmente, a reação do povo foi de admiração. Eles diziam: Não é este o
Filho de Davi? (23). Mas a forma do texto grego indica claramente que se esperava uma resposta negativa: “Este não é o Filho de Davi, é?”.27 A pergunta expressa surpresa, incredulidade, talvez em uma mistura de esperança - “Será que é possível que este seja o Filho de Davi?” A reação dos fariseus foi bem diferente. Eles disseram que Jesus expulsava os
demônios por Belzebu,28 o príncipe dos demônios (24). Cristo sabia o que eles estavam pensando e começou a lhes fazer perguntas. Depois de observar que todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá (25), Ele declarou que se Satanás estivesse expulsando Satanás, ele estaria dividido contra si mesmo; como subsistiria, pois, o seu reino (26)? A lógica era simples e clara.
Mas Jesus ainda prossegue. Se Ele expulsava demônios por Belzebu, por quem os
expulsam, então, os filhos daqueles homens (27)? A expulsão de demônios era praticada pelo menos por alguns judeus naquela época (cf. At 19.13). Então o Mestre dá a forma correta ao registro. Se pelo Espírito de Deus, não “por Belzebu” (24), ele expulsava os demônios... é conseguintemente chegado a vós o
Reino de Deus (28). Foi exatamente isso o que aconteceu. Na pessoa de Jesus o Reino “chegou repentinamente” (tempo aoristo). Mas eles o estavam rejeitando. Jesus dá mais um exemplo. Ninguém pode entrar na casa de um homem valente e
furtar - “roubar, levar embora, arrastar”29 - os seus bens - “a sua propriedade”30 - a menos que amarre o homem valente. Novamente, contra a lógica não há argumento. Satanás é um adversário vencido, caso contrário Jesus não poderia estar se apossando da sua propriedade. A primeira parte do versículo 30 - Quem não é comigo é contra mim - parece, à
primeira vista, estar em conflito com Lucas 9.50 - “Quem não é contra nós é por nós”. Mas no texto de Mateus, Jesus está falando sobre a lealdade interior; em Lucas, Ele está falando da oposição exterior. Os objetivos das duas frases são completamente diferentes. Em Lucas, Ele está reprovando um espírito de sectarismo; em Mateus, Ele está advertindo contra o perigo da lealdade dividida. Existe também uma diferença quanto a quem está contra quem (cf. Mt 12.30 e Lc 9.50 em várias versões). Em Mateus, Jesus declara que um homem não pode permanecer neutro em relação a Cristo; aqueles que não são a favor dele, são contra Ele. Em Lucas, Jesus está falando dos seus seguidores. Um homem não precisa sempre concordar com os outros cristãos, ou com grupos de outros cristãos, para estar com Cristo. Nem eu devo exigir que todos os outros cristãos dem comigo. Um outro cristão pode estar realizando a obra de Cristo à sua própria maneira; se ele estiver fazendo isso sinceramente, estará do mesmo lado que eu estou, porque eu também estou procurando fazer a obra de Deus.
b) O Pecado Imperdoável (12.31-32). Jesus afirmou que todo pecado e blasfêmia
se perdoará aos homens (31), exceto a blasfêmia contra o Espírito. Essa nunca será perdoada. No versículo 32 Ele coloca isso de maneira ainda mais forte: qualquer pessoa que fale alguma palavra contra o Filho do Homem será perdoada, mas não aquela que falar contra o Espírito Santo. O contexto dá a entender que o “pecado imperdoável” é atribuir obstinadamente a Satanás uma obra que é do Espírito Santo. Esta é a opinião sustentada por John Wesley e Adam Clarke. Wesley diz: “Isso não é nem mais nem menos do que atribuir ao poder do diabo esses milagres que Cristo realizou pelo poder do Espírito Santo”.31 Mas Morison, que é um comentarista seguidor de Wesley nos estudos teológicos, expressa o ponto de vista mais aceito hoje em dia com respeito ao pecado imperdoável, da seguinte maneira: “Qualquer pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, exceto aqueles que sejam imperdoáveis por constituírem uma blasfêmia contra o Espírito”.32 Novamente, ele escreve: “A blasfêmia contra o Espírito é uma rejeição escarnecedora do Espírito, como o único Revelador da santa propiciação realizada por Deus”.33 Isto é impenitência, “continuada até o fim das provações”.34
c) Corações Bons e Maus (12.33-37). Assim como existem dois tipos de árvores, as
boas e as más, assim também existem dois tipos de corações. E da mesma maneira como a árvore é conhecida pelos seus frutos, assim também a verdadeira natureza do homem é conhecida pelo que flui dela (35). Isto se demonstra especialmente pelo que dizemos (36-37), pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca (34). A conexão com os parágrafos precedentes é demonstrada na primeira parte do versículo 34. O coração mau dos fariseus foi revelado pelas palavras de blasfêmia que eles tinham acabado de proferir. Os versículos 36 e 37 proclamam uma verdade solene. As palavras blasfemas não
são as únicas pelas quais os homens são responsáveis diante de Deus. Pois de cada palavra ociosa que alguém falar, ele deverá prestar contas no dia do juízo. A pergunta importante obviamente é: o que se quer dizer com ociosa? A palavra grega significa
“indolente, preguiçosa, sem utilidade”. Para esta passagem, Arndt e Gingrich sugerem “uma palavra descuidada que, devido à sua falta de valor, não deveria ter sido proferida”.35 Jesus está advertindo contra o descuido no falar, pois a conversa de uma pessoa revela a condição do seu coração. Assim, pelas palavras alguém pode ser justificado ou condenado.
d) Procurando Um Sinal (12.38-42). Os escribas e os fariseus tentaram colocar Jesus em dificuldades, pedindo que Ele lhes mostrasse algum sinal (38). Esta é a palavra normalmente usada no Evangelho de João para os milagres que Jesus realizava. O Mestre tinha acabado de lhes dar um maravilhoso sinal, ao curar o endemoninhado cego e mudo. Mas eles procuravam alguma coisa ainda mais sensacional e espetacular. O texto de Lucas 11.16 indica que eles estavam pedindo “um sinal do céu” que provasse que Ele era o Messias. Jesus se recusou a atender este pedido.
Cristo afirmou que era uma geração má e adúltera que estava pedindo um sinal
(39). A palavra adúltera é usada aqui com um sentido espiritual, assim como em Isaías e Oséias, significando ser infiel ao Senhor, afastado de Deus. O único sinal que Jesus lhes poderia dar é aquele que eles poderiam encontrar em
suas próprias Escrituras Sagradas. Este é um aviso salutar para aqueles que hoje em dia procuram sinais “sensacionais”. A Bíblia é a base da nossa fé. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17). Este é o único alicerce seguro para a nossa fé. Da mesma maneira que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do “grande
peixe” (cf. Jn 1.17) - “não existem baleias no Mediterrâneo”36 - assim também estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra (40). Em virtude da dificuldade de encontrar três dias e três noites entre a tarde de sexta-feira e a manhã de domingo, muitas pessoas defendem a idéia de uma crucificação na quarta-feira. Mas isto exigiria a ressurreição na tarde do sábado. Uma quinta-feira se encaixaria mais facilmente, mas por alguma razão esse dia não é sugerido pelos comentaristas. O que é importante observar é que os judeus consideram as partes dos dias como sendo dias inteiros. Por esta razão podemos entender que não há nada de errado em considerar a sextafeira, o sábado e o domingo como um intervalo de três dias e três noites. Mais tarde, Jesus declarou definitivamente que Ele “ressuscitaria ao terceiro dia” (16.21). Quando comparamos esta afirmação com a forte tradição da igreja primitiva de que a crucificação ocorreu na sexta-feira, parece bastante razoável aceitar esse dia como correto. Os judeus eram muito mais flexíveis nos seus conceitos sobre o tempo do que nós, pois, em nossa era, dividimo-lo até mesmo em segundos. O “relógio” mais preciso que eles possuíam era um relógio de sol. Então Jesus advertiu os seus ouvintes de que os ninivitas (41) - os homens de
Nínive - e a Rainha do Sul (42; a rainha de Sabá, cf. 2 Cr 9.1-9) se levantarão no Dia do Juízo com esta geração e a condenarão pela sua falta de fé. Com muito menos esclarecimento, eles obedeceram ao chamado de Deus, e seguiram a luz que viram.
e) Varrida, mas Vazia (12.43-45). O significado deste parágrafo no seu contexto está
bem destacado por Neil, que escreve: “Israel de alguma maneira se libertou das principais manchas da sua história inicial, através da sua confissão verbal de obediência à Lei, mas sete demônios piores entraram e tomaram posse da sua vida religiosa - o fanatismo, a intolerância, o preconceito e os demais pecados do judaísmo”.37 A expressão Lugares áridos, ou “sem água” (43), significa lugares não habitados
pelo homem, por não terem água disponível. Meyer diz que os desertos “eram considerados a habitação dos demônios”.38 Jesus estava advertindo contra o perigo de haver somente uma conversão parcial uma reforma sem regeneração. Não é suficiente livrar-se dos maus hábitos do pecado. Isto só deixa a vida desocupada, varrida e adornada (44). A última palavra é o verbo kosmeo, cujo significado básico é “colocar em ordem”. Se um homem passar por uma reforma moral sem uma transformação espiritual, o
resultado poderá ser, perfeitamente, que os últimos atos desse homem se tornem piores do que os primeiros (45). Cristo deve preencher a vida purificada, para que ela se mantenha limpa.


Comentários
Postar um comentário